Dattatreya |
Dattatreya era absolutamente livre de intolerância
ou preconceitos de qualquer tipo. Ele aprendia a
sabedoria de qualquer fonte que viesse. Todos os
que buscam a sabedoria devem seguir o exemplo de
Dattaterya.
Uma certa vez o rei Yadu avistou Dattaterya que
estava caminhando alegremente pela floresta. Ao
ver tamanha felicidade, Yadu perguntou à
Dattatreya o nome de seu Guru.
Dattatreya por sua vez disse à Yadu: "Somente
Atma é meu Guru, porém obtive a sabedoria
de 24 indivíduos, logo estes são meus
Gurus:"
1
- Terra
2 - Água
3 - Ar
4 - Fogo
5 - Céu
6 - Lua |
7 - Sol
8 - Pombo
9 - Jibóia
10 - Oceano
11 - Mariposa
12 - Abelha coletora
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13
- Abelha
14 - Elefante
15 - Veado
16 - Peixe
17 - Dançarina
18 - Corvo |
19
- Bebê
20 - Donzela
21 - Cobra
22 - Artesão
23 - Aranha
24 - Besouro |
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1 - Eu aprendi paciência e a fazer o bem para os
outros através da Terra, pois ela suporta
cada ofensa que o homem comete em sua superfície
e assim mesmo lhe faz o bem ao produzir os frutos, grãos,
etc.
2 - Da água eu aprendi a qualidade da
pureza. Assim como a água pura limpa os outros,
também o sadú, que é puro e livre
do egoísmo, luxúria, raiva, ganância,
etc; purifica todos aqueles que entram em contato com
ele.
3 - O ar está sempre se movendo através
de vários objetos, mas ele nunca se apega a nenhum
deles; então eu aprendi do ar a ser não-apegado,
mesmo movendo-me com muitas pessoas neste mundo.
4 - Assim como o fogo brilha ao queimar, assim
também o sadú deve resplandecer com esplendor
do seu conhecimento e Tapas (Austeridades).
5
- O ar, as estrelas, as nuvens, etc; estão todos
contidos no céu, mas o céu não
entra em contato com nenhum deles. Eu aprendi do céu
que Atma é todo-penetrante e ainda assim não
tem contato com nenhum objeto.
6 - A lua é em si mesmo completa, mas
parece aumentar ou diminuir, de acordo com a sombra da
terra por sobre ela, que varia. Disto eu aprendi que Atma
está sempre perfeito e imutável e que são
somente os Upadhis ou adjuntos limitantes que sobrepoem
sombras sobre Ele.
7 - Assim como o sol, refletido em diversos potes
de água, aparece como muitas diferentes reflexões,
assim também, Brahman aparece em diferentes formas
por causa dos Upadhis (corpos) causados por sua reflexão
através da mente. Esta lição eu aprendi
do sol.
8 - Certa
vez vi um casal de pombos com seus filhotes. Um passarinheiro
jogou uma rede e capturou os jovens pássaros. A
mãe pombo estava muito apegada a seus filhotes.
Ela não se importava em viver, então entrou
na rede e foi capturada. O pombo macho era apegado a pomba
fêmea, logo ele também caiu na rede e foi
capturado. Disto eu aprendi que o apego era a causa do
cativeiro (Samsara).
9 - A jibóia não se move para obter
comida. Ela contenta-se com o que quer que ela capture
e fica deitada em um lugar somente. Disto em aprendi a
ser não me preocupar com comida e a me contentar
com o que quer eu consiga pegar para comer (Ajahara Vritti).
10 - Assim como o oceano permanece imóvel
mesmo que centenas de rios desemboquem nele, assim também
o homem sábio deve permanecer imóvel entre
os diversos tipos de tentação, dificuldades
e problemas. Esta é a lição que eu
aprendi do oceano.
11 - Assim como a mariposa, sendo atraída
pelo brilho do fogo, cai dentro dele e se queima, assim
o homem passional que se apaixona por uma linda garota
chega à tristeza. Controlar o sentido da visão
e fixar a mente no Ser é a lição
que eu aprendi da mariposa.
12 - Assim como a abelha-coletora suga o mel
de diferentes flores e o suga de somente uma flor, assim
eu também pego um pouco de comida de uma casa e
um pouco de outra e assim apasigüo minha fome (Madhukari
Bhiksha ou Madhukari Vritti). Eu não sou um fardo
para os chefes-de-família.
13 - As abelhas coletam o mel árduamente,
mas o caçador vem e pega o mel com facilidade.
Do mesmo modo, as pessoas acumulam riquezas e outras coisas
com grande dificuldade, mas eles têm que deixar
todas elas quando partem ou quando o Senhor da Morte as
chama. Disto eu aprendi a lição de que é
inútil acumular coisas.
14 - O elefante macho, cegado pela luxúria,
cai dentro de um buraco coberto por folhas ao simples
vislumbre de uma elefoa feita de papel. Ele é capturado,
acorrentado e torturado pelo caçador. Do mesmo modo
os homens passionais caem nas armadilhas das mulheres
e são levados à tristeza. Logo deve-se destruir
a luxúria. Esta é a lição
que eu aprendi do elefante.
15
- O veado é seduzido e capturado pelo
caçador através de seu amor pela música.
Do mesmo modo, um homem é atraído pela música
da mulher de caráter duvidoso e é levado
a destruição. Não deve-se ouvir canções
libertinosas. Esta é a lição que
eu aprendi do veado.
16 - Assim como o peixe é cobiçoso
pela comida e é vítma fácil de uma
isca, assim também, o homem que é ganancioso
por comida, e permite que seu sentido da gustação
o domine, perde sua independência e é facilmemte
arruinado. A ganância por comida deve estão
ser destruída. Esta é a lição
que eu aprendi do peixe.
17 - Havia uma dançarina chamada de Pingala
na cidade de Videha. Ela estava cansada de procurar por
clientes uma noite. Ela ficou sem esperanças. Então
ela decidiu permanecer contentada com o que ela tinha
e dormiu suavemente. Eu aprendi desta mulher caída
a lição de que o abandono de esperanças
leva ao contantamento.
18 - Um corvo pegou um pedaço de carniça.
Ele foi perseguido e surrado por outros pássaros.
Ele deixou o pedaço de carniça cair e então
obteve paz e descanço. Disto eu aprendi a lição
de que um homem mundano passa por todos os tipos de problemas
e desgraças quando ele corre atrás da satisfação
dos sentidos e torna-se tão feliz como o pássaro
que abandona os prazeres sensuais.
19 - O bebê que suga o leite é livre
de todas as preocupações e ansiedades e
está sempre alegre. Eu aprendi esta virtude de
um bebê.
20 - Os pais de uma jovem donzela sairam em busca
de um pretendente apropriado para ela. A garota estava
sozinha em casa. Durante a ausência dos pais, uma
comitiva de pessoas foi até a casa com o mesmo
propósito. Ela mesmo recebeu a comitiva. Ela foi
para dentro para debulhar o arroz com casca. Enquanto
ela estava debulhando, os braceletes de vidro em suas
mãos fizeram um ruido estridente. E sábia
garota então refletiu: "A comitiva irá
preceber, pelo barulho dos braceletes, que eu estou debulhando
o arroz sozinha e que minha família é muito
pobre para contratar outros para ter o trabalho feito.
Deixe-me quebrar todos os braceletes, deixando apenas
dois em cada mão." Então ela quebrou
todos os braceletes deixando apenas dois em cada mão.
Ainda assim os braceletes criavam muito barulho. Então
ela quebrou mais um bracelete em cada mão. Não
havia mais barulho e então ela proseguiu o debulhar.
Eu aprendi da experiência desta garota o seguinte:
"Vivendo em meio a muitos causaria discórdia,
pertubações e brigas. Mesmo entre duas pessoas,
podem haver palavras desecessárias ou conflitos.
O asceta ou Sannyasi deve permanecer sozinho na solidão.
21 - Uma cobra não constroe o seu buraco.
Ela habita nos buracos perfurados pelos outros. Do mesmo
modo um asceta ou Sannyasi não deve construir uma
casa para ele. Ele deve viver nas cavernas ou templos
construidos pelos outros. Esta é a lição
que eu aprendi da cobra.
22 - A mente de um artesão estava totalmente
focada em afiar e plainar uma flecha. Equanto ele estava
engajado neste trabalho, um rei passou em frente ao seu
estabelecimento com toda sua comitiva. Após algum
tempo, um homem veio até o artesão e perguntou-lhe
se o rei havia passado por sua loja e o artesão
respondeu que não havia percebido nada. O fato
era que o a mente do artesão estava unicamente
absorta em seu trabalho e então ele não
notou a passagem do rei em frente a sua loja. Eu aprendi
deste artesão a qualidade da intensa concentração
da mente.
23 - A aranha produz de sua boca longos fios
as tece em uma teia. Ela mesmo acaba ficando presa na
teia que acabara de tecer por si só. Do mesmo modo,
o homem faz uma teia de suas próprias idéias
e fica emaranhado nelas. O homem sábio deve então
abandonar todos os pensamentos mundanos e pensar em Brahman
unicamente. Esta é a lição que eu
aprendi com a aranha.
24 - O besouro captura um verme, o coloca em
seu ninho e lhe dá uma picada. O pobre verme, sempre
temeroso do retorno do besouro e da picada, e pensando
constantemente no besouro, se torna o besouro em si próprio.
O que quer que seja que um homem pense constantemente,
ele atinge no curso do tempo. Assim como um homem pensa,
ele então se torna. Eu aprendi do besouro e do
verme a me tornar o Atma ao contemplar constantemente
Ele e então abandonar todo o apego ao corpo e atingir
Moksha ou libertação.
O Rei Yadu ficou imensamente impressionado pelos ensinamentos
de Dattaterya. Ele abandonou o mundo e praticou constante
meditação no Ser.
*Retirado
do livro "Lives of Saints (Vidas dos Santos)",
de Swami Sivananda
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